Volkswagen é multada em R$ 15 milhões por fraude na Amarok

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Publicado em 12 de maio de 2026

A recente decisão da Justiça Federal condenou a Volkswagen do Brasil a pagar R$ 15 milhões em indenizações aos proprietários da picape Amarok. O caso tem como pano de fundo a instalação de um software ilegal que manipulava os resultados de testes de emissões de poluentes em 17.000 veículos produzidos entre 2011 e 2012. O software fazia com que a picape atendesse às normas ambientais apenas durante testes laboratoriais, liberando quantidades excessivas de gases nocivos em uso real.

Contexto do Caso

A condenação é um desdobramento do escândalo global conhecido como Dieselgate, afetando inúmeros veículos do grupo Volkswagen. No Brasil, a irregularidade garantiu licenças fraudadas do Ibama para a Volkswagen Amarok. O motor 2.0 turbodiesel emitiu até 1,1 g/km de óxidos de nitrogênio (NOx), superando o limite legal de 1 g/km determinado pelo Proconve L6, vigente na época do lançamento.

Funcionamento do Software

O sistema, classificado internamente como “item de ação indesejável”, funcionava reconhecendo padrões de homologação. Quando a Amarok estava em ambiente de teste, o software ajustava a injeção e o gerenciamento do motor, reduzindo drasticamente a emissão de NOx. Fora do laboratório, priorizava desempenho, aumentando a emissão de poluentes.

Impactos Ambientais

Estudos do Ibama e da Cetesb estimam que essa manipulação resultou na emissão adicional de 2.700 toneladas de NOx entre 2011 e 2016. Para contextualizar, esse volume é equivalente à emissão anual de uma frota considerável de veículos pesados operando dentro dos limites legais. O impacto ambiental foi exacerbado pela ineficácia das medidas corretivas posteriormente implementadas pela companhia.

Convocação e Recall

Em 2017, a Volkswagen convocou proprietários para uma atualização de software, mas o recall teve adesão inferior a 30% das unidades afetadas. Assim, muitas picapes continuaram em desacordo com as normas ambientais.

Decisão da Justiça Federal

A Justiça Federal destacou que a entrada desses veículos no mercado violou a confiança pública, utilizando tecnologia para burlar a fiscalização ambiental. A sentença se aplica especificamente às versões da Amarok com calibração de 122 cv, que representam aproximadamente 24% da frota envolvida. Essa versão concorria com modelos básicos da Toyota Hilux e Chevrolet S10.

Recursos do Ministério Público

O Ministério Público Federal (MPF) já recorreu da decisão, solicitando que a condenação seja aumentada para R$ 30 milhões. O MPF argumenta que a fraude não se limita às unidades de 122 cv, devendo incluir toda a frota com o software ilegal, inclusive as versões de 163 cv. Os procuradores afirmam que a técnica de diferenciação não anula o fato de que todo o processo de homologação foi comprometido.

Visão Global da Indústria

Os procuradores também enfatizam que a Volkswagen atuou visando maximizar lucros, comercializando veículos com emissões superiores às informadas. A argumentação do MPF sustenta que a penalização deve ser rigorosa o suficiente para coibir práticas consideradas “perversidade tecnológica”. Além da condenação cível, o Ibama já havia aplicado uma multa administrativa de R$ 46 milhões à fabricante após a descoberta das fraudes.

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