O Brasil está avançando significativamente no campo da reciclagem de baterias, um passo crucial para a sustentabilidade e inovação industrial. A Tupy, uma renomada multinacional brasileira, acaba de inaugurar uma planta-piloto dedicada a essa finalidade, localizada no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) da USP, em São Paulo. Com a capacidade de reciclar até 400 toneladas de baterias por ano, essa iniciativa representa um marco no uso responsável de recursos.
Objetivos da Planta
A planta-piloto da Tupy visa não apenas testar processos de reciclagem, mas também estabelecer uma base sólida para a economia circular no Brasil. O diretor de Pesquisa & Desenvolvimento da Tupy, André Ferrarese, afirmou que a planta simboliza um passo estratégico para consolidar a empresa como referência em soluções sustentáveis para a indústria.
Investimentos no Projeto
Com um investimento de R$ 45 milhões até o momento, o projeto conta com recursos da Tupy e de parceiros estratégicos. Esse aporte financeiro é crucial para o desenvolvimento das tecnologias necessárias para aumentar a capacidade de reciclagem de baterias até 2028, com a meta de alcançar 10.000 toneladas anuais.
O Processo de Reciclagem
Mas como funciona a reciclagem de baterias? A Tupy trabalha com baterias que contêm minérios críticos, como lítio, cobalto, manganês e níquel. Essas baterias, incluindo as utilizadas em carros elétricos e híbridos, passam por um processo complexo que começa com a chegada das baterias, geralmente doadas por empresas do setor automotivo e eletrônico.
Etapas da Reciclagem
O primeiro passo é descarregar completamente a bateria, numa etapa conhecida como matar a bateria. Após essa descarga inicial, a bateria é desmontada, e cada módulo é separado e descarregado individualmente. Sem riscos de choques elétricos, o material segue para um triturador e, em seguida, inicia-se o primeiro processo de separação através de peneiração e solventes.
Separação de Materiais
Neste momento, os componentes como plástico, ferro e alumínio são separados, resultando na chamada black mass. Essa massa preta contém os minérios críticos misturados com grafite e é um punto crítico, já que muitos centros de reciclagem param por aí.
Hidrometalurgia Avançada
No entanto, o que diferencia a planta da Tupy é o processo de hidrometalurgia, que consegue separar esses minérios críticos em soluções líquidas. Isso permite que lítio, manganês, cobalto, níquel e grafite sejam extraídos de forma mais eficiente e com maior pureza.
Possibilidades Futuras
Depois do processo de separação, a Tupy avalia as diversas possibilidades de utilização desses minérios. Com um valor de mercado que pode ultrapassar 3.000 dólares a tonelada, existe a viabilidade de recomercialização ou até mesmo a fabricação de novas baterias utilizando esses materiais reciclados.
Purificação dos Minérios
Para que os minérios possam ser utilizados na produção de novas baterias, é necessário passar por um processo de purificação para atingir a pureza grau bateria de 99,9%. Isso é crucial, pois a pureza dos minérios reciclados é geralmente superior em comparação aos extraídos de mineradoras, que costumam ter apenas 60% a 70% de pureza.
Desafios na Reciclagem
Ainda que a planta-piloto não execute o processo de purificação no momento, a Tupy continua a pesquisar técnicas que serão futuramente testadas em escala industrial. Essas inovações são essenciais para o fortalecimento da indústria nacional e para redução da dependência de importações.