Os transportadores rodoviários autônomos de cargas (TACs) desempenham um papel crucial na movimentação de cargas no Brasil. Em 2025, esses profissionais se destacaram ao transportar 204,6 milhões de toneladas ao longo do ano. Entre os meses, agosto foi o que apresentou o maior volume, com 20,3 milhões de toneladas transportadas, seguido por julho e setembro, cada um com 20,1 milhões de toneladas. Essa atividade, consolidada principalmente nos meses de agosto e setembro, reflete a concentração de autônomos no mercado, com 169,2 mil e 170,7 mil TACs atuando respectivamente. As informações foram divulgadas pela CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), com base nos dados de MDFes (Manifestos Eletrônicos de Documentos Fiscais) fornecidos pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).
Tipo de Carga
Em relação ao tipo de carga, notou-se que 53,4% do total transportado pelos autônomos não foram identificados nos registros de MDFes, segundo a ANTT. Essa identificação começou a ser mais frequente após outubro, quando a forma de preenchimento do MDFe foi alterada. Dos 95,3 milhões de toneladas identificadas, 15,4% corresponderam ao transporte de soja, com os maiores volumes registrados em setembro (12,7 mil toneladas), março (11,7 mil toneladas) e maio (11,5 mil toneladas). O milho e os cimentos hidráulicos também figuram entre os produtos mais frequentemente transportados, representando 9,16% e 8,35%, respectivamente.
Origem e Destino
São Paulo se destacou como o estado com o maior volume de cargas embarcadas pelos autônomos, totalizando 36 milhões de toneladas, o que equivale a 16% do total transportado. As principais saídas desse estado ocorreram de Santos, com 3,6 milhões de toneladas. Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso também foram importantes pontos de origem das cargas. Quanto aos destinos, São Paulo novamente liderou, recebendo 24,4 milhões de toneladas, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Deslocamentos de Veículos
Em 2025, os autônomos realizaram 13,9 milhões de viagens, percorrendo entre 5,1 bilhões e 5,4 bilhões de quilômetros. No entanto, também foi identificado um considerável número de viagens sem carga, totalizando 43,2 milhões, resultando em 10,9 bilhões de quilômetros percorridos sem carga antes de novas entregas. Em média, os veículos percorreram 35,5% da distância total sem cargas.
Novos Cadastrados em 2025
O ano de 2025 registrou 51.024 novos cadastros de RNTRC (Registro Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas) para TACs, o segundo maior número anual em 21 anos. A média de idade dos TACs que se inscreveram foi de 42 anos. Observou-se uma forte concentração de novos motoristas na faixa etária entre 35 e 50 anos. Contudo, a baixa participação de jovens com menos de 25 anos aponta para desafios significativos na renovação da categoria.
A Participação Feminina
Notadamente, 16,3% dos novos cadastros de RNTRC em 2025 foram feitos por mulheres, o maior percentual já registrado. Isso reflete um aumento na presença feminina no setor, que atualmente representa 10,7% do total de registros de TACs.
Veículos de Carga
Dentre os veículos utilizados pelos autônomos, o caminhão trator (cavalo mecânico) liderou as emissões de MDFes com 44% do total, seguido por caminhões simples e caminhonetes. A idade média dos veículos utilizados foi de 19,8 anos, e mais da metade dos MDFes (54,5%) foram para veículos com mais de 16 anos, chamando a atenção para a dificuldade de renovação da frota.
Monitoramento de Emissões
A CNTA se comprometeu a acompanhar continuamente a movimentação de cargas e a emissão de poluentes, realizando levantamentos trimestrais sobre a atuação dos transportadores. A estimativa de consumo de combustíveis e emissão de gases de efeito estufa será monitorada, visando a sustentabilidade do setor.