A situação da Nissan tem se tornado cada vez mais preocupante em um cenário global marcado pela ascensão das fabricantes chinesas. Recentemente, a montadora japonesa anunciou a venda de sua icônica fábrica em Rosslyn, na África do Sul, para a divisão local da Chery, encerrando a produção da picape Navara na unidade a partir de maio de 2026. Este movimento é uma parte significativa da reestruturação que a Nissan está implementando para enfrentar uma crise financeira que já resultou na renúncia de seu antigo CEO e em cortes de pessoal sem precedentes.
Nissan em Crise Financeira
A venda da fábrica em Rosslyn não é um evento isolado, mas sim uma medida que evidencia a dificuldade crescente da marca em manter sua capacidade produtiva. Nos últimos meses, a Nissan decidiu fechar ou consolidar sete fábricas globalmente, o que demonstra a profundidade da crise. O que agrava a situação é a queda drástica nas vendas, especialmente nos mercados da China e dos Estados Unidos.
Desempenho Negativo
No último ano fiscal, a Nissan registrou um prejuízo de 670 bilhões de ienes, cerca de US$ 4,5 bilhões. Este resultado foi impulsionado por diferentes fatores, incluindo a incapacidade de acompanhar a competição de preços e a inovação tecnológica das montadoras locais na China, como a BYD. Nos EUA, a estratégia de vendas, que incluía descontos agressivos, acabou corroendo as margens de lucro, além do impacto das tarifas comerciais que elevaram os custos operacionais.
Falcão da Fusão Fracassada
Em fevereiro de 2025, o cenário tornou-se ainda mais crítico quando a Nissan não conseguiu avançar com um plano de fusão com a Honda e a Mitsubishi. A proposta previa a formação de um consórcio avaliado em US$ 60 bilhões, que seria o quarto maior conglomerado automotivo do mundo. O colapso das negociações não apenas afetou a liderança da marca — resultando na saída do CEO Makoto Uchida — mas também se tornou um sinal de alarme para a sobrevivência da montadora.
Cortes de Pessoal
Com a fusão fracassada e um caixa cada vez mais pressionado, a Nissan foi forçada a adotar medidas drásticas. A venda da fábrica na África do Sul é apenas uma parte de um plano que resultou em cortes de 20.000 postos de trabalho, correspondendo a 15% de sua força de trabalho global. A maioria das demissões ocorreu nas fábricas, que responderam por dois terços desses cortes.
Redução de Investimentos
Além dos cortes de pessoal, a Nissan também iniciou uma significativa redução de seus investimentos futuros, cancelando projetos estratégicos. Um exemplo notável é o cancelamento da construção de uma nova fábrica de baterias e veículos elétricos no Japão, uma ação emblemática para uma marca que foi pioneira na eletrificação em massa com o modelo Leaf.
Chery em Ascensão
Enquanto a Nissan enfrenta dificuldades, a chinesa Chery está acelerando seu crescimento. A fabricante chinesa repete a estratégia que utilizou na Europa, onde adquiriu a antiga fábrica da Nissan em Barcelona. Ao comprar a unidade em Rosslyn, a Chery não só diversifica sua presença internacional, mas também ganha tempo para iniciar operações locais de maneira acelerada, consolidando sua posição no mercado automotivo global.