Entidades de transporte apoiam medidas contra furto de cargas

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Publicado em 11 de setembro de 2025

O problema do roubo de cargas no Brasil é alarmante, com estatísticas preocupantes que indicam um cenário de criminalidade complexo e diversificado. Para enfrentar essa situação, órgãos públicos e entidades do setor de transportes apresentaram uma série de sugestões à Câmara dos Deputados, visando melhorar a segurança das estradas e reduzir os prejuízos econômicos associados a esses crimes. A seguir, abordaremos as principais propostas e os desafios deste combate.

Estatísticas Alarmantes

O Brasil ocupa o segundo lugar no mundo em roubo de cargas, apenas atrás do México. De acordo com a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, o prejuízo anual causado por esses crimes é estimado em R$ 1,2 bilhão. Apenas no primeiro semestre deste ano, foram registrados 3.749 casos, sendo que 86% deles ocorreram na região Sudeste.

Quadros Criminosos

As quadrilhas que atuam no roubo de cargas são altamente especializadas, conforme destacado por Carley Welter, diretor da Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas. Elas não se limitam apenas ao furto de produtos, mas também se envolvem em outras atividades criminosas, como tráfico de drogas e contrabando.

Impacto nos Caminhoneiros

A Confederação Nacional do Transportador Autônomo revelou que quase metade dos caminhoneiros brasileiros já foi vítima de roubo ou furto de carga. Essa estatística ressalta a urgência das ações necessárias para proteger os profissionais do setor.

Ações de Segurança

Para enfrentar o problema, o governo federal criou o Comitê Gestor da Política Nacional de Repressão ao Furto e Roubo de Veículos e Cargas, que busca unificar estratégias de combate a esse tipo de crime. Francisco Rodrigues Neto, da Polícia Rodoviária Federal, destacou a importância de desenvolver uma cultura de segurança no transporte de cargas, além de compartilhar dados e investir em tecnologia.

Projetos de Lei

O roubo de cargas gerou uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito de 2000 a 2002, e várias propostas de lei estão em tramitação. Entre elas, o Projeto de Lei 1743/25, que propõe um código identificador para rastrear produtos desde a indústria até o consumidor final. Outra proposta relevante é a federalização do crime de roubo de cargas (PL 375/24), que visa aumentar a eficácia das ações contra os criminosos.

Rastreabilidade de Cargas

A rastreabilidade é uma das propostas mais apoiadas pelos especialistas, que pedem ajustes específicos para produtos agrícolas, como algodão e grãos. A ideia é que 65% das cargas transportadas no Brasil sejam rastreáveis para aumentar a segurança.

Punições Rigorosas

Os especialistas também pedem que sejam impostas punições severas para aqueles que compram e comercializam produtos roubados. Valter Souza, diretor da Confederação Nacional do Transporte, ressalta a necessidade de penalizar os receptadores de cargas, para desincentivar a prática criminosa.

Campanhas de Conscientização

O Procon de São Paulo, em suas campanhas, destaca a importância de exigir notas fiscais e verificar a procedência dos produtos. Guilherme Derrite, secretário estadual de segurança pública, enfatizou a necessidade de conscientização do consumidor, muitas vezes irresponsável ao comprar produtos de origem duvidosa.

Resultados em São Paulo

Recentemente, o Sistema de Informações e Prevenção de Crimes (SP-Carga) apresentou resultados positivos, com uma redução de 26% nos roubos e 41% na receptação de cargas roubadas no primeiro semestre de 2023. Essas ações demonstram que, com medidas bem estruturadas, é possível enfrentar o problema com eficácia.

A luta contra o roubo de cargas no Brasil é árdua e requer um esforço conjunto entre governo, setor privado e sociedade civil. Somente com medidas eficazes e uma conscientização adequada será possível reverter esse quadro alarmante.

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