A presença feminina no setor de transporte tem crescido gradativamente, especialmente em áreas antes dominadas por homens. Nos últimos anos, mulheres começaram a conquistar seu espaço como motoristas de caminhão, desafiando estereótipos e enfrentando dificuldades no dia a dia.
Crescimento no Setor
Nos últimos três anos, o Grupo Potencial, uma das principais distribuidoras de combustíveis e logística do Sul do Brasil, começou a integrar motoristas mulheres em sua equipe. Atualmente, quatro mulheres são parte ativa na operação, sinalizando um avanço significativo na representatividade feminina. De acordo com dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT), o número de mulheres habilitadas para dirigir veículos pesados cresceu de 3,4% em 2022 para 6,5% em 2024, totalizando cerca de 182 mil motoristas no país, conforme informações da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).
Desafios e Oportunidades
No entanto, essa estatística poderia ser ainda maior se houvesse melhores condições de segurança e infraestrutura nas estradas para as mulheres motoristas. Apesar dos desafios, muitas mulheres sonham em se tornar caminhoneiras, mas a presença ainda é escassa devido à falta de experiência no mercado.
Histórias Inspiradoras
Josiane de Freitas Cabral, de 30 anos, é uma das motoristas do Grupo Potencial e observa que a maioria das paradas nas estradas não são adequadas para atender às necessidades do público feminino. Mesmo assim, ela incentiva outras mulheres a seguirem seus sonhos, enfatizando que a profissão proporciona uma grande liberdade. “Se a profissão for seguida com amor, tudo vai dar certo,” afirma Josiane.
Lucélia da Silva Teixeira, com 40 anos, trocou sua carreira de motorista de ônibus por caminhões após uma década, buscando se aperfeiçoar na área do transporte rodoviário. Ela menciona que ama o que faz, ressaltando que até mesmo as dificuldades se tornam experiências de aprendizado.
Recomeços e Reinvenções
A aprovação na profissão de motorista de caminhão também representa uma nova chance para muitas mulheres que buscam recomeçar suas carreiras. Deize Cristina Weiler, de 50 anos, possui uma trajetória diversificada antes de se tornar caminhoneira, passando por profissões diversas como costureira, cozinheira e frentista. Ela incentiva outras a não hesitarem em recomeçar quando necessário, lembrando que muitas mulheres podem encontrar uma nova direção na vida profissional dirigindo caminhões.
Verônica Frighetto, de 43 anos, também destaca a importância de seguir a paixão. Após priorizar a criação dos filhos, ela retornou ao mercado como caminhoneira, garantindo que nunca é tarde para realizar um sonho.
O Caminho Adiante
À medida que mais mulheres compartilham suas experiências e encorajam outras a ingressar no setor, o cenário gradativamente se transforma. A luta por melhores condições, reconhecimento e estrutura adequada nas estradas é um passo essencial para garantir que as motoristas possam exercer a profissão com segurança e dignidade.
No entanto, a mudança cultural e estrutural na indústria do transporte será fundamental para garantir o crescimento contínuo da presença feminina, não apenas em números, mas no reconhecimento de suas contribuições e experiências. Cada história de sucesso, cada mulher ao volante, representa não apenas uma conquista pessoal, mas um avanço significativo para todas as mulheres que sonham com a liberdade de dirigir.