BYD é acusada de trabalho forçado em fábrica na Europa

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Publicado em 20 de abril de 2026

A BYD, montadora chinesa, enfrenta novas denúncias relacionadas às condições de trabalho em sua fábrica na Hungria. A instalação, localizada em Szeged, possui capacidade para produzir 300.000 veículos anualmente. As alegações, trazidas à tona pela China Labor Watch (CLW), envolvem uma série de violações trabalhistas que têm gerado preocupação internacional.

Denúncias na Hungria

A CLW, uma organização fundada em 2000 nos EUA, investiga as condições de trabalho em fábricas chinesas e, neste caso, realizou entrevistas com mais de 50 funcionários da fábrica na Hungria. Os relatos levantaram bandeiras vermelhas sobre a jornada de trabalho e os direitos dos trabalhadores. De acordo com a investigação, há indícios de que os trabalhadores enfrentam semanas de trabalho sem dias de descanso, com turnos de até 14 horas.

Conduta da Empresa

Os funcionários teriam sido orientados a mentir para os inspetores sobre suas horas de trabalho. Além disso, as reclamações incluem atrasos nos pagamentos, que podem chegar a três meses, e retenções de salários finais até o retorno dos funcionários à China. Essa situação leva à consideração de servidão por dívida, já que os trabalhadores enfrentam taxas de recrutamento exorbitantes apenas para conseguir emprego.

Visto Impróprio

Outro aspecto preocupante é a entrada dos trabalhadores no país com vistos comerciais, ao invés de permissões de trabalho adequadas. Essa prática coloca os trabalhadores em uma situação vulnerável, privando-os de serviços essenciais. A diretora da CLW, Elaine Lu, ressaltou que as condições observadas na fábrica húngara lembram as de uma instalação similar em Camaçari, na Bahia, Brasil.

Responsabilidade Compartilhada

Após ser questionada sobre as denúncias, a BYD atribuiu a responsabilidade a uma empresa contratada. Tal prática, segundo a CLW, é comum em cadeias de subcontratação, dificultando a responsabilização pela empresa principal. No Brasil, a BYD e empresas envolvidas firmaram um acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT), no qual pagaram R$ 40 milhões devido a irregularidades trabalhistas.

Contratos Desfavoráveis

As semelhanças entre os casos incluem, também, as condições salariais. Trabalhadores brasileiros relataram ter que pagar caução e encontravam-se na situação de receber apenas uma fração de seus salários, além de arcar com altos custos para encerrar seus contratos. Adicionalmente, havia retenção de passaportes, criando um ciclo de dificuldades para os empregados.

Tragédia no Canteiro

Em um incidente lamentável, um trabalhador faleceu no canteiro de obras da BYD na Hungria em fevereiro, o que chamou a atenção da mídia local e da CLW. As circunstâncias em torno da morte levantaram questões sobre negligência e segurança no ambiente de trabalho. A CLW espera que a BYD leve essas violações a sério, enfatizando a gravidade das infrações às leis locais e aos padrões internacionais.

Expectativas Futuras

Com as investigações em andamento, as organizações de direitos trabalhistas e o público esperam que a BYD e outras montadoras ampliem suas responsabilidades em relação a condições de trabalho seguras e justas. A pressão internacional é um caminho importante para promover mudanças e garantir direitos fundamentais aos trabalhadores.

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