Na última terça-feira, o Governo Federal lançou o Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários – Ano-base 2024. Este documento, que traz dados atualizados após uma década, fornece informações cruciais sobre a poluição atmosférica e as emissões de gases provenientes do transporte rodoviário no Brasil. Elaborado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) em colaboração com o Ministério dos Transportes (MT) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o estudo é um passo significativo para fundamentar políticas públicas que visam melhorar a qualidade do ar e reduzir emissões nocivas.
Importância do Inventário
Com o intuito de promover um sistema de mobilidade mais limpo e eficiente, o inventário consolida evidências essenciais. Ao longo dos quase 40 anos desde a implementação do Proconve, os dados mostram uma diminuição relevante de poluentes associados à combustão, especialmente a partir dos anos 2000. Contudo, o crescimento contínuo da frota e a maior intensidade de uso dos veículos têm contribuído para o aumento geral das emissões.
Resultados Relevantes
Um aspecto notável do estudo é a mudança no perfil do material particulado (MP). Embora as emissões provenientes da combustão tenham diminuído, as emissões geradas pelo desgaste de pneus, freios e pavimentos aumentaram, representando atualmente cerca de 50% do total de material particulado emitido. De acordo com Cloves Benevides, subsecretário de Sustentabilidade do MT, o documento é fundamental para acelerar a transição para uma matriz de transporte de baixo carbono, além de promover biocombustíveis e eletrificação sustentável.
Dados Sobre Emissões de Carbono
O inventário também revela que as emissões de dióxido de carbono equivalente (CO₂eq) cresceram aproximadamente 8% entre 2012 e 2024, concomitantemente com o aumento da frota de veículos. Em 2024, os automóveis foram responsáveis por 34% das emissões, enquanto caminhões semipesados contribuíram com 22%. Este balanço destaca a necessidade urgente de políticas que abordem a crescente poluição por gases de efeito estufa.
Inclusão de Novos Poluentes
Pela primeira vez, o estudo inclui estimativas de carbono negro, que é um poluente climático de vida curta e que impacta significativamente a saúde humana. Além disso, a atualização amplia a análise de gases de efeito estufa e poluentes regulados, organizando as informações por tipo de veículo e combustíveis. O documento abrange dados desde 1980 até 2024, tornando-se um recurso vital para a gestão da qualidade do ar.
Dados por Poluente
Os principais resultados do estudo incluem:
- Monóxido de carbono (CO): queda de 5,5 milhões para 1 milhão de toneladas desde 1991.
- Óxidos de nitrogênio (NOx): redução significativa desde o fim dos anos 1990, com o diesel sendo responsável por 87% das emissões.
- Material Particulado (MP): emissões de combustão caíram para menos de 18 mil toneladas em 2024.
- Carbono negro (BC): cerca de 8 mil toneladas por combustão.
- Metano (CH₄): redução constante desde os anos 1990.
- N₂O: tendência de aumento atrelada à renovação tecnológica da frota.
- CO₂: 270 milhões de toneladas estimadas em 2024, com automóveis representando 42% e caminhões 40% das emissões.
Evolução da Frota Nacional
Atualmente, a frota brasileira já ultrapassou 71 milhões de veículos, com os automóveis correspondendo a 63% do total, seguidos por motocicletas com 25% e veículos comerciais leves com 9%. A frota pesada, composta por caminhões e ônibus, alcançou 2,5 milhões de unidades, o que intensifica a necessidade de medidas eficazes para mitigar as emissões.
Próximos Passos
Após mais de uma década desde o último levantamento, a atualização do inventário contou com a participação de especialistas e oficinas técnicas. O estudo reafirma a urgência de melhorar as bases de dados nacionais, incluindo fatores de emissão e informações de licenciamento, com o objetivo de aumentar a precisão das estimativas de emissões.
O lançamento deste inventário é um marco importante não apenas para a análise da situação atual da poluição no Brasil, mas principalmente para a formulação de políticas que visem um futuro mais sustentável e ecologicamente responsável.