Nada se sabe sobre o paradeiro de Wladimir Martins, o renomado construtor fluminense, reconhecido por sua contribuição significativa à indústria automobilística brasileira. Martins foi um dos precursores na construção de automóveis fora de série e sua obra inclui o buggy Woody Sport e o esportivo WMV. A história de Wladimir e suas inovações estão entrelaçadas com a narrativa do GT Malzoni, outro clássico brasileiro que marcou época.
O Início de Tudo
A história do WMV remete à criação do GT Malzoni, um esportivo idealizado em 1975 por Francisco “Kiko” Malzoni. Kiko contou com o apoio de seu pai, Rino Malzoni, um dos fundadores da Puma. O design do GT Malzoni tinha como base a carroceria do GT 4R, que, em 1969, teve apenas três unidades produzidas e sorteadas entre os leitores da revista QUATRO RODAS.
Parceria com a Polyglass
Durante o desenvolvimento do GT, Kiko Malzoni contatou Wladimir Martins, sócio da empresa Polyglass, famosa pela sua expertise na laminação de plástico reforçado com fibra de vidro. A Polyglass estava em alta demanda devido ao sucesso do Woody Sport, mas aceitou ajudar a finalizar o protótipo do GT Malzoni no ateliê de Wladimir.
Sucesso no Salão do Automóvel
O GT Malzoni foi apresentado no Salão do Automóvel de 1976 e rapidamente conquistou o público, resultando na encomenda de 23 unidades durante o evento, um feito impressionante para a época. Não demorou para que Kiko percebesse que conciliar a faculdade com a produção do esportivo seria um desafio. Assim, ele vendeu o projeto para José Marquês, que fundou a Marques Indústria e Comércio de Veículos.
A Fundação da WMV
Em 1978, Wladimir Martins deu vida à Wladimir Martins Veículos, com a meta de produzir mensalmente cinco unidades do esportivo WMV. Este novo modelo se diferenciava do GT Malzoni por detalhes específicos, como a entrada de ar na coluna traseira e lanternas traseiras do Ford Maverick. Tanto o WMV quanto o GT Malzoni foram inspirados no Maserati Khamsin, compartilhando características de design que se tornaram icônicas.
Equipamentos e Conforto
O WMV apresentava um nível de equipamentos que se destacava. Contava com um painel de instrumentos completo, vidros com acionamento elétrico e um sistema de som que incluía um toca-fitas com rádio AM/FM. Os bancos eram revestidos em couro e jersey, proporcionando conforto durante a condução. Além disso, os tradicionais 2,4 metros entre os eixos eram um padrão estabelecido pelos modelos Volkswagen Fusca e Brasília.
Desempenho Aquém do Esperado
Apesar de seu charme, o desempenho do WMV não correspondia ao preço elevado. O motor de 1,6 litro entregava apenas 66 cv a 4.600 rpm, e o torque limitava-se a 11,7 kgfm a 3.200 rpm. A transmissão manual de quatro marchas não contava com assistência em direção e freios, o que tornou a experiência de condução um tanto desafiadora.
A Evolução do WMV
A segunda geração, denominada WM II, trouxe alterações estéticas significativas, suavizando a dianteira e incorporando um novo sistema de limpador de para-brisa. A produção foi transferida para a Polystilo Ind. e Com., e estima-se que pouco mais de 50 unidades foram fabricadas até 1983, tornando esses exemplares muito valorizados entre colecionadores.
Ficha Técnica do WMV II
Modelo: WMV II 1983
Motor: 4 cilindros opostos, 1.584 cm³
Potência: 65 cv a 4.600 rpm
Torque: 11,7 kgfm a 3.200 rpm
Câmbio: Manual de 4 marchas, tração traseira
Carroceria: 2 portas, 2 lugares
Dimensões: 490 cm (comprimento), 168 cm (largura), 115 cm (altura), 240 cm (entre-eixos)
Peso: 760 kg
Pneus: 205/60 SR 13
Preço em maio de 1978: Cr$ 240.000
Assim, a trajetória de Wladimir Martins e o legado dos modelos WMV continuam a ecoar na história do automobilismo brasileiro, mesmo décadas após seu auge.