Um Legado Automotivo: A História do Hofstetter Turbo
Em uma emocionante jornada que percorreu São Roque, no estado de São Paulo, até San Isidro, na Argentina, um único exemplar do icônico Hofstetter Turbo automático, fabricado em 1986, conquistou um lugar de destaque na AutoClásica, um evento de carros antigos que encerra sua edição 2026 em 12 de outubro. Esse esportivo, que faz parte do acervo do museu paulista Dream Car, fez história ao se tornar o primeiro automóvel de projeto nacional a ser premiado em um concurso internacional de grande porte.
Um Museu de Sonhos
Para compor a mostra argentina, o museu também enviou uma unidade do Concorde. Esses dois modelos de carros clássicos foram escolhidos por sua beleza e importância histórica. O Hofstetter Turbo, com seu design inspirado nos clássicos dos anos 1930, é um verdadeiro tesouro nacional.
Um Projeto Nacional de Sonho
O Hofstetter Turbo é um verdadeiro exemplo de criatividade e empreendedorismo. O projeto foi iniciado por Mário Richard Hofstetter, um jovem de 16 anos que teve a ideia de criar seu próprio carro. Ele foi inspirado pelas linhas do conceito Alfa Romeo Carabo, desenhado pelo italiano Marcello Gandini, e misturou referências do Maserati Boomerang e do BMW E25 Turbo. O projeto tomou forma na garagem de sua casa, onde ele mesmo construiu o primeiro molde da carroceria em fibra de vidro usando compensados de madeira comprados após a venda de um kart.
Um Desafio Técnico
Foi necessário ter criatividade e habilidade técnica para tirar o carro do papel. O chassi tubular próprio, do tipo espinha dorsal, agregava motor, câmbio, subchassi e suspensão traseira do Volkswagen Passat, enquanto a caixa de direção e os freios dianteiros vinham do Chevrolet Chevette. O resultado foi um veículo único e inovador que impressionou todos que o viram.
Um Legado Técnico
Motor AP turbo e câmbio automático. A unidade premiada na AutoClásica carrega uma peculiaridade histórica: é o único exemplar dos 18 fabricados a sair de fábrica com câmbio automático. O arranjo mecânico padrão, que estreou no Salão de 1984, utilizava caixa manual de quatro marchas ligada ao motor Volkswagen AP 1.8 movido a álcool. Com a adoção de um turbocompressor, o conjunto original rendia 140 cv e 21 kgfm. Os números garantiam uma aceleração de 0 a 100 km/h em 9, 3 s e velocidade máxima de 196 km/h. Mais tarde, em 1987, a fabricante evoluiu a mecânica para um motor 2.0 turbo capaz de gerar 210 cv, permitindo ao esportivo superar os 200 km/h.
Um Legado que Continua
Apesar da ousadia técnica, que incluía painel digital fornecido pela PPA e volante oval, o projeto não resistiu à abertura do mercado brasileiro no início dos anos 1990. Os consumidores de alto padrão migraram para os superesportivos importados, e a produção da Hofstetter foi encerrada definitivamente em 1992. No entanto, o legado do Hofstetter Turbo continua vivo, e o seu exemplo inspira gerações de empreendedores e entusiastas de carros clássicos.
Um Futuro para o Passado
Após a exposição na AutoClásica 2026, o Hofstetter e o Concorde retornarão ao acervo do Dream Car, onde poderão ser contemplados e fotografados pelos visitantes. Essa é uma oportunidade única para que as pessoas possam apreciar a beleza e a importância histórica desses dois modelos de carros clássicos.