Rogério Azambuja, um empresário e entusiasta de automóveis em Passo Fundo, RS, acaba de rescuscitar um exemplar icônico de um carro brasileiro raríssimo. O Democrata, com design inspirado no Chevrolet Corvair, deixou sua marca na década de 60, quando o empresário Nelson Fernandes sonhou em produzir um automóvel de luxo com projeto e capital nacional, a um preço acessível. Este artigo explora a história fascinante do Democrata e os desafios enfrentados por seu criador.
História do Democrata
O Democrata foi um carro que prometia revolucionar o mercado automotivo brasileiro, sendo alvo de um investimento audacioso que visava produzir até 350 veículos por dia. Nelson Fernandes, à frente deste projeto, conseguiu atrair quase 90.000 investidores, o que demonstrava um grande interesse no empreendimento.
Desafios e Controvérsias
Porém, a trajetória do Democrata não foi um mar de rosas. Críticos da época consideraram o projeto como megalomaníaco, atraindo a atenção negativa de instituições como o Banco Central e a Polícia Federal. A criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar possíveis irregularidades na empresa foi apenas um dos desafios enfrentados.
O Sonho de Fernandes
Neste cenário, o sonho de Fernandes se assemelhou ao do americano Preston Tucker, que também sonhava em desafiar grandes montadoras. A proposta de Fernandes incluía a produção de um veículo popular e um utilitário, além de um carro de luxo que seria o Democrata. A carroceria do carro, feita de fibra de vidro, e o motor de seis cilindros instalado na traseira foram algumas das inovações do projeto.
O Fim da Ibap
Entretanto, diversos problemas começaram a surgir. O questionamento sobre a viabilidade da carroceria de fibra de vidro e um incidente envolvendo um navio carregando componentes mecânicos importados foram apenas algumas das dificuldades que a fábrica enfrentou. A pressão contínua das autoridades culminou no fechamento da Indústria Brasileira de Automóveis Presidente (Ibap) e na desistência de muitos investidores.
Ressurgimento do Democrata
Após anos de abandono, o Democrata começou a ser restaurado por mecânicos apaixonados, como José Carlos Finardi, que vislumbraram o potencial do carro. A restauração, que levou quase três anos, devolveu ao carro sua glória original, permitindo que ele fosse exibido em eventos de antigomobilistas.
O Legado de Azambuja
Atualmente, o carro está sob os cuidados de Rogério Azambuja, que enfrentou grandes desafios para colocá-lo de volta em funcionamento. Com melhorias contínuas, o Democrata agora roda regularmente, trazendo à tona uma parte importante da história automotiva brasileira. As inovações que ele representa ainda ecoam no presente, mostrando a ousadia do passado.