GT Fúria: o icônico brasileiro com motor Alfa Romeo

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Publicado em 20 de dezembro de 2025

Os esportivos da Alfa Romeo sempre foram extremamente apreciados no mercado italiano, mas sua trajetória no Brasil revela um caminho bastante diferente. Apesar de iniciarem sua produção nacional na década de 1960 pela Fábrica Nacional de Motores (FNM), o verdadeiro potencial da marca não foi explorado adequadamente, resultando em uma presença menos marcante no país.

Histórico no Brasil

Os primeiros veículos da Alfa Romeo no Brasil surgiram com a licença da FNM, onde o \'cuore sportivo\' foi incorporado aos sedãs JK e 2300. A tentativa de criar o FNM Onça em 1966 não teve sucesso, mas em 1971, uma nova oportunidade surgiu com o projeto do cupê nacional, o Fúria GT. O engenheiro Toni Bianco esteve à frente do projeto, que foi desenvolvido em conjunto com Vittorio Massari, um executivo da FNM.

Desenvolvimento do Fúria GT

O projeto do Fúria GT foi uma colaboração com o departamento de competições da FNM. O protótipo, inicialmente feito em aço, serviu como molde para as carrocerias que seriam desenvolvidas em fibra de vidro. Essa decisão de design apostava nas linhas retas inspiradas na arquitetura Bauhaus, resultando em um cupê fastback 2+2 que lembrava mais o estilo dos carros Lamborghini do que os tradicionais Alfa Romeo daquela época.

Características do Fúria GT

A mecânica do Fúria GT era baseada no FNM 2150, e o modelo contou com um entre-eixos reduzido, que proporcionou uma experiência de pilotagem diferenciada. A potência do motor de 130 cv permitia que o carro alcançasse até 170 km/h, além de oferecer características como bancos em formato de concha e um volante esportivo de três raios, revestido em madeira.

Recepção e Elogios

O protótipo do Fúria GT foi bem recebido em eventos, com 50 unidades vendidas em um único almoço no Rio de Janeiro. Os primeiros testes realizados pela revista QUATRO RODAS também destacaram a visibilidade, a estabilidade em curvas e a qualidade dos freios. No entanto, uma crítica recorrente era a proximidade entre os pedais de acelerador e freio, que dificultava algumas manobras.

Futuro do Fúria GT

Mesmo com uma recepção positiva, o Fúria GT não teve sua produção continuada, e Bianco só conseguiu finalizar quatro carrocerias. O protótipo, que poderia ter rivalizado com modelos como o Puma GTB, foi pintado de vermelho, mas passou por um acidente e foi repintado, perdendo parte de sua originalidade.

O Legado de Toni Bianco

Após o Fúria GT, a Alfa Romeo no Brasil passou a atender a mercado de veículos com quatro portas. No entanto, Toni Bianco continuou envolvido com projetos esportivos. Nos anos 70, ele desenvolveu os modelos Bianco S e Dardo, que ganhariam notoriedade nas pistas.

O Bianco S

O Bianco S, outro projeto de Bianco, ganhou destaque com diversas motorização, incluindo opções de motores da Chrysler e até Lamborghini. Em 1976, surgiu uma versão de rua, que diferenciava-se por ser mais larga e equipada com motor Volkswagen, diversificando ainda mais o portfólio de esportivos brasileiros.

Ficha Técnica Fúria GT

  • Motor: 4 cilindros, 2131 cm³
  • Potência: 130 cv
  • Câmbio: manual de 5 marchas, tração traseira
  • Suspensão: independente na dianteira, eixo rígido na traseira
  • Freios: disco na frente e tambor atrás

O Fúria GT simboliza um período de criatividade e inovação na indústria automotiva brasileira, refletindo o espírito esportivo que a Alfa Romeo representa, ainda que sua história no Brasil tenha sido marcada por altos e baixos.

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