Geely pode tentar assumir parte da fábrica da Ford na Espanha

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Publicado em 8 de maio de 2026

As conversas entre a Geely e a Ford para a venda de parte do complexo industrial em Valência, na Espanha, representam um marco significativo na entrada das fabricantes chinesas no mercado automotivo europeu. A Geely, uma das maiores montadoras da China, está em negociações para adquirir alas desativadas da linha de montagem, com o intuito de começar a produção local de veículos elétricos e híbridos. Este movimento estratégico visa não apenas expandir sua presença na Europa, mas também evitar as novas taxas de importação impostas pela União Europeia para carros originários da China.

Demanda Financeira Atual

A Geely busca se adaptar ao novo cenário econômico. Produzir veículos na Europa pode ser uma solução mais viável financeiramente, já que a companhia pode evitar os altos custos decorrentes das tarifas de importação. Esta abordagem é semelhante à estratégia adotada pela Geely no Brasil, onde a empresa tornou-se sócia da Renault do Brasil ao adquirir 26,4% das operações locais.

Problemas da Ford

Para a Ford, a venda do complexo em Valência representa uma resolução rápida para a ociosidade da fábrica. Inaugurado em 1976, o complexo já foi responsável pela montagem de até 300.000 veículos por ano, incluindo modelos icônicos como Escort, Mondeo e Fiesta. Atualmente, a unidade opera em um nível muito inferior à sua capacidade, fabricando apenas o Ford Kuga. A negociação envolve o setor conhecido como Body 3, uma área moderna da planta que está atualmente sem uso.

Operações Independentes

Com a concretização da venda, a Geely e a Ford operariam de forma independente no mesmo terreno, o que permitiria a divisão dos custos operacionais. Atualmente, o complexo emprega pouco mais de 4.000 funcionários, e a venda poderia evitar demissões em massa, proporcionando uma nova fase para a planta.

Plataforma Modular GEA

A Geely planeja utilizar a plataforma modular GEA (Global Intelligent Electric Architecture) para seus veículos na Espanha. Esta estrutura flexível permite a montagem de modelos elétricos e híbridos plug-in. O primeiro carro a ser produzido na unidade deverá ser o Geely EX2, conhecido na China como Xingyuan. Este modelo é o mais vendido da Geely no Brasil e também terá produção nacional.

Características do Geely EX2

O EX2 é um hatch elétrico com 4,13 metros de comprimento, o que o torna comparável ao Volkswagen Polo. O veículo oferece opções de baterias de 30,1 kWh ou 40,1 kWh, e o motor elétrico montado no eixo traseiro disponibiliza duas potências: 79 cv nas versões de entrada e 116 cv nas variações superiores. No Brasil, apenas a versão com 116 cv é comercializada.

Possibilidade de Novo Fiesta

A negociação também pode resultar no compartilhamento da arquitetura entre Geely e Ford. Isso abriria a possibilidade de criar um novo modelo de acesso para a Ford, potencialmente ocupando a lacuna deixada pelo fim do Fiesta a combustão. Além disso, também poderia levar ao desenvolvimento de uma nova geração do Ford Puma elétrico.

Redução de Custos

O compartilhamento da plataforma GEA pode significar uma diminuição significativa nos custos de desenvolvimento para a Ford. Com isso, a montadora conseguirá apresentar um produto competitivo diante de novos compactos elétricos que estão surgindo no mercado, como o Volkswagen ID.2 e o Renault 5.

Especulações e Futuro

Até o momento, tanto a Ford quanto a Geely vêm tratando a negociação como mera especulação. A Ford, por meio de um porta-voz, negou as informações ao jornal espanhol La Tribuna de Automoción. Da mesma forma, um representante da Geely Europe fez uma declaração similar à revista Automobilwoche. No entanto, especialistas do setor acreditam que o acordo está “praticamente fechado”, o que pode resultar em mudanças significativas para ambas as empresas nas próximas semanas.

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