A década de 1980 foi um período marcante para os amantes de carros conversíveis. Enquanto as normas de segurança se tornavam cada vez mais rígidas, a maioria dos fabricantes abandonou as carrocerias abertas. No entanto, a Alfa Romeo conseguiu manter viva a tradição com a terceira geração do roadster Spider, lançada em 1983.
O Renascimento do Spider
O Spider da Alfa Romeo, embora sem concorrentes diretos, mantinha o espírito inovador do modelo que impressionou o mundo automotivo no Salão de Genebra em 1966. O design inicial de Aldo Brovarone e Battista Pininfarina ainda era admirado na década de 1970, superando marcas britânicas tradicionais, como Triumph e MG, com aprimoramentos técnicos e estéticos.
Estilo e Design Modernizado
Conhecida como Aerodinamica, a terceira geração do Spider continuava a ser produzida pela Pininfarina na icônica fábrica de Grugliasco. Para manter a atratividade do modelo ao longo dos anos, a Pininfarina investiu em um estudo aprofundado em túnel de vento, incorporando para-choques mais envolventes e um defletor dianteiro moderno.
Aspectos Técnicos Inalterados
A modernização do design não comprometeu a essência do Spider. Sua estrutura monobloco, motor dianteiro, câmbio manual de cinco marchas e tração traseira permaneceram consistentes. O coração do Spider, o renomado motor de quatro cilindros em linha, projetado por Giuseppe Busso, mantinha sua configuração de duplo comando de válvulas e câmaras hemisféricas.
Desempenho da Motorização
No modelo Spider 1600, a cilindrada era de 1,6 litro, com potência de 104 cv a 5.500 rpm, permitindo uma aceleração de 0 a 100 km/h em cerca de 13 segundos, atingindo uma máxima de 175 km/h. O Spider 2000, por sua vez, contava com 2 litros de cilindrada e 126 cv a 5.300 rpm, conseguindo atingir 100 km/h em menos de 10 segundos, e máxima de 194 km/h.
Frenagem e Comportamento Dinâmico
Os freios a disco nas quatro rodas do Spider garantiam eficiência. No entanto, apesar de seu desempenho, o comportamento dinâmico era afetado pelas limitações da plataforma, que era a mesma do cupê Giulia de 1963. A suspensão dianteira independente e o eixo rígido na traseira traziam desafios de manuseio.
Interior Clássico e Funcional
O interior do Spider permanecia inalterado, destacando o clássico volante Hellebore com aro de madeira. O painel contemplava elementos como conta-giros e velocímetro, enquanto o console central abrigava instrumentos variados, incluindo marcador de combustível e temperatura.
Versões e Acabamentos
A terceira geração do Spider foi disponibilizada em três níveis de acabamento. O modelo Graduate era o mais básico, com bancos de vinil e rodas de aço. O intermediário Veloce incluía bancos de couro e rodas de liga leve, enquanto o top de linha Quadrifoglio trazia um interior bicolor e um teto rígido removível.
Inovações de 1986
Em 1986, o painel do Spider foi atualizado, reunindo diversos instrumentos em uma única peça. O console central ganhou saídas de ar-condicionado e um aerofólio traseiro produzido em plástico rígido, aumentando a modernidade do modelo.
Concorrência e Modernidade
Embora o sistema de injeção Bosch Motronic tenha trazido uma modernização significativa ao Spider, o modelo enfrentou a concorrência de veículos modernos como o Toyota MR-2 e o Mazda MX-5 Miata. O Spider de quarta geração, lançado em 1994, encerrou um ciclo de 28 anos de produção na história da Alfa Romeo.
Ficha Técnica do Spider
- Carroceria: aberta, 2 portas, 2 lugares
- Motor: 4 cilindros em linha, 1.962 cm³
- Potência: 116 cv a 5.500 rpm
- Câmbio: manual de 5 marchas, tração traseira
- Dimensões: 428 cm de comprimento, 163 cm de largura, 129 cm de altura
- Peso: 1.156 kg
- Pneus: 195/60 HR 15